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Impacto da Implementação da Nota de R$200,00

 Por Hay Costa Sousa

Publicação original: 10/08/2020


Imagem: Diego Takamatsu


No dia 29 de julho de 2020 foi anunciado a nova cédula de R$200,00. Serão lançados 450 milhões de unidade da nova cédula, que em dinheiro chega a 200 bilhões. A nova nota gerou várias polêmicas, econômicas e visuais. Os internautas levantaram o debate de como a nota deveria ser estampada, pois, a mesma terá um Lobo-Guará como estampa, e muitos acreditam que o nosso querido “vira- lata amarelo” seria perfeito. As polêmicas com a nova cédula não ficaram apenas no campo visual, e trouxe a tona várias discussões econômicas, referente se havia mesmo uma necessidade de criação de uma nova moeda em espécie e como a geração da mesma iria impactar a economia.

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Lobo-Guará: Wikipedia
  • Mas afinal de contas, qual o motivo para a criação da nova cédula?

O governo cedeu um auxílio de R$600,00 para os brasileiros que foram fragilizados durante este momento de pandemia, e a maioria dos beneficiários são ‘’desbancarizados’’. Segundo o Presidente do Sindicato Nacional dos Moedeiros, Roni Oliveira afirmou que 40% dos beneficiários não têm acesso a nenhuma instituição financeira.

Por conta da falta de acesso às instituições financeiras, muitos brasileiros optaram em sacarem o dinheiro e aumentou consideravelmente a demanda por moeda. Segundo o Banco Central (BC), de fevereiro a junho deste ano, a busca por Papel-moeda em Poder Público (PMPP), aumentou 28,7%.

Com o aumento da demanda por moeda, o governo teve gastos extras com a impressão da mesma. Em julho o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou um gasto extra de cerca de 437 milhões para impressões de cédulas, cerca de 100 bilhões adicionais de dinheiro de papel. Com a impressão da nova moeda, estes gastos serão diminuídos.

A diretora de administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, explicou que por conta da pandemia as pessoas estão guardando mais dinheiro em casa, o que cria um ‘’entesouramento’’. Com os momentos de incertezas causados pela covid-19, os indivíduos optam por guardar dinheiro dentro de suas casas, causando escassez de cédulas dentro do mercado. Hoje no Brasil, a quantidade de dinheiro em circulação está adequada, mas não se sabe como e por quanto tempo isto irá continuar, e por este motivo a criação da nova moeda.

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Carolina de Assis Barros — Foto: Divulgação/Banco Central
  • Por que os brasileiros estão assustados com a impressão da nova cédula?

A primeira coisa que vem na cabeça do brasileiro quando se fala em geração de novas cédulas é: inflação. Este pensamento é justificado por conta de um trauma de um país que viveu um grande período de inflação na década de 1980 até 1994, o mesmo ano que se realizou a implementação do Plano Real, que de certa forma conseguiu estabilizar a moeda e controlar o processo inflacionário.

O segundo pensamento que se tem é: a desvalorização da moeda. Contudo, é inegável que o real desde a sua criação o real teve uma desvalorização considerável, e faz sentido criar uma nota com o valor mais alto para não ficar atrás. Então com a perda do poder de compra do real, já era esperado que houvesse o surgimento de uma nova cédula. Com o timing limitado da pandemia, a criação foi necessária antes do previsto.

“A nota com valor muito alto pode trazer para a memória coletiva o susto de que o dinheiro está perdendo valor”, disse Fábio Terra, que é pós-doutor pela Universidade de Cambridge.

Todavia, apesar de parecer que com a desvalorização do real chegaremos a mesma inflação, deve-se ter a ótica que hoje o cenário econômico é completamente diferente. Os economistas do mercado financeiro dizem que o IPCA que mede a inflação está em baixa e é esperado que ele termine em 2% esse ano, e a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) é de uma retração de 5,77% neste ano.

Outras críticas que a nova cédula recebeu de ativistas anticorrupção foi referente a facilidade na lavagem de dinheiro. Países como Índia e a União Europeia, começaram fazer campanhas contra a utilização de cédula física exatamente para dificultar o corrompimento. O Banco Central respondeu às críticas dizendo que as notas não influenciam os crimes, e que os desvios irão perdurar independente do valor das cédulas.

Contudo, pode-se chegar a conclusão que a geração da nova cédula não irá impactar consideravelmente dentro do mercado, o real já vinha desvalorizado, e que não há expectativa que essa expansão monetária que irá ser causado pelas novas cédulas. Referente a inflação, não deverá ter aumento, pois, não haverá demanda por novas compras ao nível superior ao anterior a crise.

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