Por Víctor França
Publicação original: 12/08/2020
| Imagem: Diego Takamatsu |
A realidade muitas vezes pode ser hostil e difícil de lidar, mas é com ela que temos que conviver. No entanto, algumas pessoas não aceitam essas situações e tentam achar explicações simples para questões complexas, esses indivíduos que fogem da verdade são chamados de negacionistas.
O negacionismo científico leva riscos à todos, pois provoca uma gigantesca onda de desinformação sobre fatos já constatados pela ciência, de forma que põe em dúvida coisas que são abertamente comprovadas e salvam vidas, como por exemplo, as vacinas. Em uma entrevista recente à Globonews, o youtuber Felipe Neto afirmou:
“A gente está vivendo hoje no Brasil um momento de validação do negacionismo, a validação do obscurantismo, a validação de pessoas e ideias que sempre ficaram no esgoto da opinião pública. E que de repente saíram dos esgotos, como ratos pela cidade, de uma forma tão violenta e grotesca, que saíram contaminando todo mundo.”

A maior prova dessa validação do negacionismo está sendo agora, durante a pandemia, que o governo brasileiro mostra claramente sua aversão à ciência.
Primeiramente, o presidente Bolsonaro minimizou o vírus, “gripezinha”, e depois indicou por conta própria a utilização de um remédio que não existe nenhuma comprovação científica sobre sua eficácia. O medicamento é a hidroxicloroquina, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), produz pouca ou nenhuma redução nas mortes por COVID-19.
Fato é que, o Brasil entrou para o quinto mês da pandemia e irá completar 3 meses sem um ministro da saúde, mas o pior de tudo é que graças ao negacionismo do presidente e de seus apoiadores, hoje somos o segundo país com mais mortes, chegando a mais de 100 mil.

Em entrevista para o UOL, a doutora em microbiologia Natália Pasternak falou:
“Chegamos nesse número por um misto de incompetência e negacionismo. Você não consegue combater um problema que finge que não existe com soluções mágicas e negando tudo o que a ciência tem a oferecer em termos de controle de pandemia”
E continuou:
“O Brasil foi na contramão do mundo na implementação das medidas preventivas que poderiam ter evitado, pelo menos, metade dessas mortes”
O Brasil nos mostrou que o negacionismo nunca funcionou e nunca funcionará. Infelizmente, essa constatação foi paga com a vida de quem não tinha nada a ver com os interesses políticos de um grupo.
Mas essa prática negacionista não é exclusividade nossa. Nos Estados Unidos, Donald Trump já deu várias entrevistas que distorcem e negam à realidade dos fatos científicos, como quando questionou o aquecimento global:
“Se o mundo está ficando mais quente, por que, então, está fazendo tanto frio nos EUA”, foi postado no seu Twitter.
Mas o maior e mais intenso episódio, foi quando ele aconselhou que todos injetassem na veia um desinfetante, no intuito de combater à COVID-19, o resultado foi que o número de envenenamentos mais que dobrou em menos de 24 horas.

Já na Alemanha, dia 1 de agosto, houve protestos contra as medidas de isolamento adotadas pelo governo, em sua maioria os manifestantes eram radicais de direita, propagadores de teorias da conspiração e de movimentos antivacina, esse ficou conhecido como “dia da liberdade” e reuniu mais de 20 mil pessoas em Berlim.

Diante desses fatos, a conclusão que podemos tirar é de que os movimentos negacionistas estão aí para subtrair e prejudicar aqueles que realmente trabalham duro para melhorar nosso mundo, os cientistas. Uma teoria negacionista não demora muito para conseguir chegar no que chamamos de “massas”, já as teorias científicas requerem pesquisas, observações e provas. E muitas vezes a ciência é tão complexa que se torna quase impossível chegar nessas camadas mais populares da sociedade, com isso as aprovações de argumentos negacionistas são quase automáticas, devido à sua simplicidade e seu alcance.






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