Por Alisson Silva
Publicação original: 05/08/2020
| Imagem: Diego Takamatsu |
Quem nunca tomou um remédio para uma dor de cabeça simples ou quaisquer outros sintomas tidos como simples pela sociedade. Com certeza você já ouviu alguém fala “de técnico, médico e louco todo mundo tem um pouco”, pois bem, este é um comportamento muito comum do brasileiro, segundo uma pesquisa realizada pelo ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade) no ano de 2018 79% dos brasileiros com mais de 16 anos admitem tomar medicamento sem prescrição médica ou farmacêutica.
Os medicamentos mais consumidos por conta própria.

O uso de medicação de forma incorreta pode acarretar no agravamento de algumas doenças, sendo o remédio um antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada, pois o uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de micro-organismos, o que por sua vez compromete a eficácia dos tratamentos. Outra preocupação séria sobre a combinação de medicamentos, pois um pode comprometer a eficiência do outro, o uso exagerado de medicamento pode trazer reação alérgica dependência até a morte. (Fonte: Biblioteca Virtual em saúde)
Todo esse costume brasileiro intensificou com a chegada da pandemia de covid-19, em meio a tanta incerteza da população e de órgãos reguladores e da área médica. Surgindo assim várias fake News de chás e receitas milagrosos como a de óleo virgem com alho ou gargarejar suco de limão, combinações que não faz sentido. Junto com essa notícias sempre vem várias teoria da conspiração como a de que a Organização Mundial da Saúde — OMS, China, e outras grandes nações quer esconder do mundo essas receitas milagrosas. Todas essas fake News foram desmentidas pelo Ministério da Saúde.
Tudo ficou mais complexo quando uma pesquisa que indicava possível sucesso da hidroxicloroquina e cloroquina, que in vitro teria obtido resultados positivos, porém, alguns veículos de imprensa e influenciadores passaram a notícias sem explicar de forma clara que o medicamento não teria passado por testes em humanos para comprovar o seu sucesso. Isso levou uma onda pessoas as farmácias procurando o medicamento que sumiu das prateleiras, remédio utilizado para tratamento de lúpus e artrite reumática. Assim, a Anvisa aumentou o controle da venda exigindo Receita de Controle Especial.
A utilização da hidroxicloroquina pode acarretar em efeitos colaterais como por exemplo:
Distúrbios do sangue e do sistema linfático: depressão da medula óssea, anemia, anemia aplástica, agranulocitose, leucopenia, trombocitopenia. Distúrbios do sistema imune: urticária, angioedema, broncoespasmo.Distúrbios de metabolismo e nutrição: anorexia, hipoglicemia. Distúrbios psiquiátricos: labilidade emocional, nervosismo, psicose, comportamento suicida Distúrbios do sistema nervoso: dor de cabeça, tontura, convulsões. Distúrbios extrapiramidais (relacionados à coordenação e controle dos movimentos), como distonia (contrações musculares involuntárias), discinesia (movimentos involuntários anormais do corpo), tremor. Distúrbios oculares: visão borrada devido a distúrbios de acomodação que é dose dependente e reversível, retinopatia, com alterações na coloração e do campo visual. Distúrbios de audição e labirinto: vertigem, zumbido, perda de audição. Distúrbios cardíacos: cardiomiopatia (doença do coração) que pode resultar em insuficiência cardíaca e em alguns casos podendo ser fatal. Toxicidade crônica deve ser considerada quando ocorrerem distúrbios de condução. Distúrbios gastrintestinais: dor abdominal, náusea, diarreia, vômito. Distúrbios hepatobiliares: alterações dos testes da função do fígado, insuficiência hepática fulminante. Distúrbios de pele e tecido subcutâneo: erupção cutânea, prurido, alterações da cor na pele e nas membranas mucosas, descoloração do cabelo, alopecia, erupções bolhosas, incluindo eritema multiforme, fotossensibilidade, dermatite esfoliativa. Distúrbios musculoesqueléticos e tecidos conjuntivos: distúrbios motores sensoriais. (Fonte: Anvisa)

Outro medicamento que foi divulgado e a população tomou de forma indiscriminada foi a ivermectina, vermífugo e um medicamento que faz parte do grupo de antiparasitários com ação em vários vermes e parasitas como os nematódeos, em especial o Strongyloides stercoralis, além de combater ácaros como o Sarcoptes scabiei, entre outros. Várias notícias falsas ou distorcidas foram divulgadas com esse remédio informando a dosagem e forma de usar este remédio, que pra muitos destas serviria como um inibidor do vírus, que não foi provado em pesquisa sua eficácia muito menos sua prevenção, porém, muitos prefeitos e governantes já pegaram como remédio salvador da pátria. Como o prefeito de Itajaí que distribuiu para todos os moradores um kit covid com remédios que ainda não possui comprovação científica. Para pacientes sintomáticos em isolamento domiciliar, pode haver boas intenções na partes destas medidas, todavia, deve ser observado o risco desta automedicação.
Mesmo sendo um remédio leve pode acarretar em um efeito colateral leve e passageiro, no período de tratamento com Ivermectina é possível que o paciente enfrente alguns efeitos colaterais como: náusea, diarréia, dor abdominal, falta de disposição, falta de apetite, constipação e vômitos. Ainda podem ocorrer alguns sintomas relacionados ao sistema nervoso central, tais como: tontura, sonolência, vertigem e tremor. Ademais, podem ocorrer também reações epidérmicas como: coceira, aparecimento de lesões na pele, urticária. É importante também falar que, no caso de tratamento de oncocercose, podem surgir reações alérgicas. Essas reações são caracterizadas por: dor nas articulações, aumento de tamanho e da sensibilidade dos gânglios — especialmente os gânglios do pescoço, das axilas e da área inguinal, dor abdominal, inchaço, coceira, lesões na pele e febre.
Grande apoiador da utilização destes medicamentos sem ter a comprovação de sua eficiência é o Presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), que muitas vezes falou em público sobre a utilização deste medicamento, o que estimulou muito a sua utilização desenfreada. Mesmo se o seu interesse fosse em ajudar a população, deve se ter noção dos riscos já que estes remédio não tem eficiência comprovada e como o próprio presidente afirmou: “As vidas das pessoas estão em primeiro lugar. Agora, um detalhe: a dose do remédio não pode ser excessiva de modo que o efeito colateral seja mais danoso do que o próprio vírus. Esse é o cerne da questão” disse no dia 24 de março.

Para diminuir esse hábito medidas podem ser tomadas como por exemplo: fortalecer o elo entre farmacêutico e o cliente, pois muitas pessoas pode não entender a forma correta de fazer uso daquele medicamento e o farmacêutico é o profissional ideal. Campanha de conscientização para mudanças de hábitos do população, medidas mais rígidas para inibir a publicação de notícias falsas.Evitar a prescrição de receitas sem a comprovação de profissional da área médica. Campanhas que leve conhecimento que para medicação não um caminho o único e cada pessoa precisa ser acompanhado pela situação de sua saúde em particular.





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